Carta aberta aos estudantes da Graduação

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Vivemos um momento especialmente diferente, apesar das contingências do mercado financeiro internacional. Enquanto as empresas brasileiras perdem 41% do mercado por conta da irresponsabilidade dos especuladores gananciosos norte-americanos e japoneses, enquanto a diplomacia brasileira tenta furar o bloqueio do Estado-Maior das nações mandatárias, enquanto as esquerdas dos países subdesenvolvidos ensaiam o coro dos descontentes – que o digam a Odebrecht e a Petrobras no Equador e na Bolívia -, enquanto a ordem mundial paga os juros e as correções monetárias da falsa modernidade, o fabuloso abismo social que nega e desconsidera a pobreza, a fome, o analfabetismo, a violência, o racismo, a xenofobia, a misoginia, a homofobia, os preconceitos de toda ordem, enquanto tudo isto acontece, assistimos nossa tevê a cores, vinte e nove polegadas com tela plana. Você pergunta: tudo bem… Mas então, o que eu posso fazer para mudar a realidade do noticiário das oito? Nós respondemos: talvez nada, quase nada, ou não, muito pelo contrário! Você pergunta impaciente: que história é esta de momento especialmente diferente? Nada é diferente, o dia apareceu nublado. Que conversa fiada é esta? Nós respondemos pacientes, refazendo a pergunta: amigo, você é aluno de uma instituição federal, não percebe nada além dos muros da escola e da janela do seu apartamento duplex? E continuamos: não percebe a reforma das instituições de ensino públicas? Não percebe a proliferação e intensa oferta de cursos superiores em todo o país? Não percebe que a graduação, a especialização e a extensão nunca foram tão valorizadas e procuradas? Não percebe que o cidadão comum cada vez mais consciente da necessidade da educação como valor inalienável vem buscado sua formação cada vez mais intensamente? Então você pergunta: beleza… Mas, e daí? Então nós perdemos finalmente a paciência com a sua pessoa: meu amigo: você tem a obrigação como aluno de instituição pública de lutar por um ensino de qualidade, lutar para que os seus professores tenham reconhecimento e tenham um salário digno, lutar para que as aulas sejam memoráveis, prazerosas, inesquecíveis, lutar para que cada vez mais alunos sejam os mestres, os futuros doutores, os futuros pós-doutores, lutar para que seu curso seja reconhecido como uma referência acadêmica nacional, porque deste modo, somente deste modo, os candidatos a professores, o corpo docente, os candidatos a alunos, os alunos como você – meu amigo inconsciente -, os ex-alunos e toda a sociedade tenham orgulho desta Escola, escola com “e” maiúsculo, entende? Um dia, no limiar de sua vida desinteressante – meu amigo alienado -, você vai olhar o passado e verá esta escola (esta com e, minúsculo) e perceberá que poderia fazer alguma coisa, qualquer que fosse, e não fez. Nesse dia, abrindo o jornal de domingo, você vai ler as notícias de sempre: mortes, violência, guerras no oriente médio, ganância dos especuladores e corruptos de toda ordem, cores e matizes, a mesma cantilena dos lamuriantes, o mesmo rosário de reclamações, o mesmo do mesmo, sempre e sempre cada dia mais. Nesse dia cinzento e escuro no limiar da sua vida, talvez em algum momento desse dia estranho e seco quase sufocante, você, meu amigo – meu amigo extraterrestre –, você reconhecerá que poderia ser diferente do que é se tentasse ser diferente do que foi. Como não estamos no limiar da sua vida – meu amigo estupefato -, lembramos a sua pessoa que apesar do tempo nublado de hoje existe uma boa perspectiva de o sol aparecer radiante e bonito daqui a pouco; então, convidamos você – meu amigo confuso e meio amalucado -, convidamos a sua pessoa para fazer deste dia um dia mais feliz e intenso, pleno de realizações e alegria. Seja bem vindo às horas desse dia e aproveite as sombras das árvores que você merece.

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